quarta-feira, 20 de maio de 2009

E ela deixou saudade

Era como se o cão anunciasse a tristeza, era um dia incomum. Nunca haverá outro igual. Talvez mais tristes, ou ainda diferentes.
No seu choro triste de cachorro, mal podia prever que as lágrimas sinceras que pendiam no colo, no quarto, eram ainda mais pesadas.
E assim, a menina tentava levar. Eu, assistindo àquilo com tamanho pesar, - talvez por ver minha amiga sofrendo, ou talvez por não conseguir imaginar sua dor - não conseguia proferir nenhuma palavra realmente reconfortante.
E assim se seguiu. A mãe, a mão não mais presente, fez falta, e foi o motivo único da comoção. Nem palavras, nem amigos, nem choro pôde ajudar, mas estes não deixaram de existir e de querer demonstrar sua disponibilidade.
A menina, como manda sua personalidade - que eu posso dizer, é muito parecida com a da mãe - estava aparentemente controlada, consciente e séria. Eu mesma não sei dizer como pode uma pessoa demonstrar tristeza e seriedade daquela forma, sem parecer insensível, sem parecer fraca.
E fraca não será nunca. Não deve ser, tamanha é sua coragem. Eu, acredito, não suportaria assim. Contudo, a saudade da mãe de minha amiga, que amiga também era de minha mãe, ficará em mim marcada para sempre. E eu imagino que maior que a minha e muito mais dolorida deve ser a saudade que habita no íntimo da menina.
Mas sim, ela se levanta. Minha amiga, sensível como é, é capaz de sentir essa dor de forma sincera. Também é capaz de se recuperar por fora e seguir, enquanto tenta consertar tudo por dentro.
A menina, junto de seu irmão, não mais desfruta do calor de sua mãe. Mas pode sim contar com ela em seus pensamentos, nas lembraças, que são muitas, e mesmo em sí própria, que foi onde ela deixou marcada sua presença de forma mais sutil e mais abundante. 
Vendo e refletindo sobre isso, eu continuo a observá-la e só observá-la, oferencendo minha inútil ajuda e querendo tê-la o mais próxima de mim, tanto quanto for possível.

segunda-feira, 23 de março de 2009

(Você se lembra da missa, né?)

O padre fala.
Ela ri, cochicha alguma coisa, quase inaudível.
Ele ri, brinca, vira os olhos.
Ela ri, disfarçando. Aperta a mão dele e se vira pra frente.
O padre ainda fala.
Igreja cheia. Ela está lá para dar uma força para a amiga. Ele está lá por ela
É mesmo uma coisa estranha, mas a sensação é boa. Ela se perde em devaneios e se concentra nas mãos. Disfarça.
Esse padre não se cala!
Mãos, pés, padre, folha, missa, mão e pés.
Ele brinca, ri baixinho, aperta a mão dela, quer vê-la sorrir. Faz carinhos disfarçados, comportados. Ela se nega e se arrepende, aperta a mão de volta.
Agora seus olhos se encontram e ela se perde de novo. Gosta dele. Não como gosta do primo, da irmã. Gosta como gosta de... De quem?
Ele talvez não goste dela assim, mas como saber? Se não, ele sabe enganar bem.
O padre insiste no sermão. Ela se agita. É oferenda!
Se levanta, aproveita para respirar um pouco, se desviar da imaginação.
Dois reais e algumas moedas dos dois.
Ela volta, se senta, ri de alguma coisa com as amigas e ele também ri.
São novamente mãos, pés, padre, folha, missa, mãos e pés.
                                       

domingo, 8 de março de 2009

Pois é!

Telefonema


Quando vai ser?
Hoje. O cogumelo é francês.
Não. Não, Tenho uma coisa pra te dizer.
Então diz.
Pelo telefone não. Essas linhas vivem cruzadas.
  Alguém pode estar ouvindo.



(Histórias de Amor - Rubem Fonseca)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Desencontros do (m)eu lírico

 

 

Hoje vim de poesia,

Hoje eu quero rimar.

Pra desencontrar meu eu

Encontrando o seu.

Por que não tentar?

 

Hoje eu quis te ver,

Certamente lhe falar

Sobre nossa poesia.

E como você sabia

Que iria me encontrar?

 

Hoje eu questionei,

Hoje ouvi falar

De um sentimento tal,

Melancolia sem igual.

Você pôde notar?

 

Mas hoje – só hoje

Vou escrever aqui

Qualquer coisa aleatória,

Qualquer reflexo de memória

Onde pudesse me encontrar.


11/02/2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

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Durante um jogo em família, ocorreu um fato curioso:

 

-Qual letra?

-Letra M, vó.

-M de Maria?

 

Então pensei: porque M de Maria? Porque logo de Maria? Só porque é um nome comum, um nome que todos já escutamos? Pessoas gostam de coisas comuns. Eu gosto das diferentes, das raras. E “M”? Uma letra tão bonita, distinta... Diferente de “A”s, diferente de “F”s, de “L”s... Diferente de tudo e de todos... “M” é simpática, é divertida, é amável, carinhosa, inteligente, preguiçosa, meiga, gentil, e linda... Ah, como é linda! Chega a ser maravilhosa... Maravilhosa como nenhuma outra letra... Se pudesse, acho que casava com “M”! Eu a adoro, de verdade... E não a adoro só para mim, adoro para todos... Grito ao mundo como a adoro! Porque não sinto vergonha, sinto paixão... E isso é demais... Me sinto nas nuvens...

 

Então respondi:

 

-Não vó... M de Mayra...




Por Pedro Martini






sábado, 24 de janeiro de 2009

Instante

-Mas qual era a palavra?


Sei que não posso evitar e não tento, mesmo que quisesse não tentaria. Eu não quero evitar a saudade! Mas hoje, hoje é sábado. Já é sábado! Uma semana não devia demorar tanto... Mas já passou, não tem jeito! Voltar não volta e nem poderia... Acabava com minha paciência que, você sabe bem, é curta. 

Amanhã, quando já for de noite, eu vou pensar: "Ai, só mais um dia!". Acho que isso vai me fazer dormir muito bem. 
Eu sei que você vai ler isso, e não me preocupo. Dessa vez sem doce, ok? Essa semana mais parece um mês!



 Imagine um mês sem você... >_<

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

a.legre





 Hoje eu quis escrever um samba. Não sei o motivo, mas samba sempre me alegra. Deve ser a batida né? Então eu quis escrever um samba, daqueles bem alegres, e se assim o fizesse eu declararia minha felicidade
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